quarta-feira, janeiro 24, 2007

25 - Os Remidos no Monte Sião

“Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz seus filhos.”O TODO-PODEROSO em Isaías 66:8

No terceiro mês após a saída do Egito, as doze tribos de Israel chegaram ao pé do monte Sinai, e ali acamparam. Moisés, então, subiu ao monte para uma audiência com Deus, “e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel: Vistes o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim. Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos. Embora toda a terra seja minha, e vós me sereis reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”(Êx.19:3-6). A partir daí, Israel passou a saber o que é que o Senhor pretendia fazer. Deus os tirara do Egito com um propósito especial: fazer deles um reino de sacerdotes, uma nação santa, propriedade exclusiva de Deus entre as nações.



"Disse mais o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes, e estejam prontos para o terceiro dia, porque no terceiro dia o Senhor descerá à vista de todo povo sobre o monte Sinai. Marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos de subir ao monte, nem toqueis o seu termo. Todo aquele que tocar no monte, certamente será morto. Certamente será apedrejado ou flechado; nenhuma mão tocará nele. Quer seja animal, quer seja homem, não viverá. Quando soar longamente a buzina, então subirão ao monte. Então Moisés desceu do monte ao povo, e santificou o povo, e lavaram as suas vestes. Então disse ao povo: Estai prontos para o terceiro dia. Não vos chegueis a mulher. Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, e um sonido de buzina muito forte. Todo povo que estava no arraial se estremeceu.” ÊXODO 19:10-16.

Que cena aterrorizante! Aquele era o início do que Paulo, mais tarde, chamou de “ministério da morte e da condenação”(2 Co.3:7-9). A Velha Aliança estava sendo oficializada diante dos olhos atônitos daqueles que compunham as doze tribos de Israel.
Depois de ditar Suas leis e Seus estatutos a Moisés, Deus “deu-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”(31:18). Aquelas tábuas originais foram quebradas pelo próprio Moisés, quando flagrou, ao descer do monte, os filhos de Israel adorando à imagem de um bezerro de ouro (Cap.32). Deus, então, ordenou que Moisés lavrasse duas novas tábuas de pedra, como as primeiras, e lhe disse: “Eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas que tu quebraste”(34:1). A quebra das primeiras tábuas, e a ordem para que Moisés lavrasse novas tábuas de pedra, apontam para o fato de que um dia a velha aliança seria substituída por um Nova e Superior Aliança. Assim como Moisés quebrou as primeiras tábuas, Israel quebraria a primeira aliança, e esta seria substituída pela Nova Aliança feita com base no sangue de Jesus, nosso Cordeiro Pascal. O escritor de Hebreus nos informa que Jesus “alcançou ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de superior aliança, que está firmada em melhores promessas (...) Ela não será segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porque não permaneceram naquela minha aliança, e eu para eles não atentei, diz o Senhor. Esta é aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor. Porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei (...) Dizendo nova aliança, ele tornou antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, perto está de desaparecer” (Hb.8:6,9-10a,13).
A Nova Aliança não é uma reedição da antiga. Trata-se de algo realmente novo. O escritor de Hebreus, bem como outros escritores bíblicos nos apresentam algumas das diferenças entre elas:

ANTIGA ALIANÇA
1.Mediadores: Moisés/Anjos-Hb.3:5; Gl.3:19
2. Sacerdócio Levítico - Hb.7:5,11
3. Sumo-sacerdote: Arão - Hb.5:4
4. Ministério: Morte/Condenação-2Co.3:7-9
5. Tabernáculo feito por mãos - Hb.9:1-2
6. Lei: Tábuas de Pedra - 2 Co.3:3
7. Sacrifícios de Animais - Hb.10:1-4
8. Monte Sinai - Hb.12:18-21
9. Israel

NOVA ALIANÇA
1. Mediador: Jesus - Hb.12:24
2. Sacerdócio Universal - Ap.1:6
3. Sumo-sacerdote: Jesus - Hb.3:1; 7:26
4. Ministério: Espírito e Justiça - 2Co.3:8-9
5. Santuário Celestial - Hb.9:24
6. Lei no Coração-Hb.10:16; 2 Co.3:3
7. Sacrifício Único de Jesus - Hb.10:12
8. Monte Sião - Hb.12:22
9. Igreja - Novo Israel

Cinqüenta dias após a crucificação de Cristo, a Igreja estava reunida no cénaculo, como Israel esteve reunido ao pé do Sinai, quando de repente, cumpriu-se a promessa do Pai. O Espírito Santo veio sobre a Igreja com glória superior àquela que manifestou-se no cume do Sinai. Naquele momento, o dedo de Deus escreveu no coração dos discípulos a Sua Eterna Lei. Agora, o Senhor e a Igreja tornarem-se um só espírito. Todos foram igualmente elevados ao cume do Monte Sião, para ali gozarem da presença do Seu Deus. Aquilo de que Israel foi privado por causa de sua obstinação, a Igreja passou a gozar: a presença gloriosa de Deus. Parafraseando o escritor de Hebreus, finalmente chegamos ao Monte Sião, à cidade do Deus vivo, à Jerusalém Celestial (Hb.12:22). A glória manifestada no Sinai era apenas uma sombra da glória que haveria de revelar-se em nós.
Diante de tudo o que foi dito até aqui, podemos compreender melhor a visão registrada em Apocalipse 14, onde João afirma ter visto “o Cordeiro em pé sobre o monte, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam escrito na testa o seu nome e o nome de seu Pai”(v.1). E por que eles trazem tal marca em suas frontes? Porque agora, eles são o Novo Israel, “a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido”(1 Pe.2:9a). O propósito inicialmente revelado a Israel ao pé do monte Sinai, agora foi transferido para o Novo Israel. “Antes não éreis povo”, declara o apóstolo, “mas agora sois povo de Deus”(v.10a). A Igreja é o único povo na terra que pode ser chamado de “propriedade exclusiva de Deus”.
João nos informa que os 144.000 representam a totalidade daqueles que foram “comprados da terra”(14:3). 12x12x1000= 144.000. Doze é o número da redenção. Mil representa um grandioso número. Os doze patriarcas e as suas respectivas tribos representam o total dos redimidos sob a antiga aliança. Os doze apóstolos representam a totalidade dos redimidos sob a Nova Aliança. Os cento e vinte discípulos (12x10=120) que receberam o Espírito Santo em Pentecostes representam a totalidade da igreja de Cristo em um estado embrionário. Doze vezes doze vezes mil é uma equação representativa, e aponta, sem dúvida alguma, para a totalidade daqueles que serão alcançados pela ação salvífica de Deus.
“Estes”, explica o vidente João, “são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens”(v.4a). Isso lembra a orientação que Moisés dá aos hebreus para que não tocassem em suas mulheres durante aqueles dois dias de santificação. Não devemos compreender isso de maneira literal, até porque, não há nada de impuro na relação sexual entre marido e mulher. As “mulheres” nesse texto representam as religiões pagãs ou mesmo o judaísmo apóstata com suas variações; as filhas da Babilônia, a grande meretriz (Ap.17:5). Ainda que muitos desses remidos tenham vindo de tais religiões, ou apostasias, tornaram-se “novas criaturas”, pelo que são chamados de “virgens”. Eles são “os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai. Estes são os que dentre os homens foram comprados para ser as primícias para Deus e para o Cordeiro. Na sua boca não se achou engano; são irrepreensíveis”(vs.4-5). Estes dois versículos parecem abrir mais o leque, e lançar luz sobre a identidade desses 144.000. Eles não são um grupo especial dentre os escolhidos por Deus; não são os mártires, como defendem alguns; nem são os santos dos últimos dias. São simplesmente os que seguem o Cordeiro, não importando em que contexto histórico vivam ou tenham vivido. Eles são as primícias para Deus, o que parece concordar com Tiago que diz que “segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg.1:18).

3 comentários:

Pastora disse...

Parabéns por este estudo tão esclarecedor, com bastante referencias bíblicas dentro do cotexto. Muito me alegrei no Senhor.Obrigada, Prª. Ruth Antunes Jeronymo - Brasília

Unidade Independente de Investigação disse...

Gostei altor! Agora os remidos descerão do céu. Até porque o REINO DO DEUS dos hebreus não é daqui. E os que vencerem serão revividos.
Mas você está certo Reverendo!

Unidade Independente de Investigação disse...

Parabéns Altor, gostei muito!
Eu não tinha entendido direito, mas entendi depois de revisar a leitura.